A cultura popular nordestina segue ocupando lugar de destaque n’O Maior São João do Mundo, em Campina Grande. Durante os festejos, o palco do Coreto do Parque Evaldo Cruz abre espaço para apresentações de dezenas de repentistas e emboladores, que levam ao público a riqueza da tradição oral por meio da poesia improvisada, da musicalidade e da interação com a plateia.
Embora tenham características em comum, como o improviso e a construção de versos no momento da apresentação, o repente e a embolada possuem diferenças marcantes. O repente é tradicionalmente acompanhado pela viola e tem um ritmo mais cadenciado, enquanto a embolada é marcada pela rapidez dos versos, pelo acompanhamento do pandeiro e por uma interpretação mais acelerada e bem-humorada, frequentemente ligada ao coco de embolada.
Entre os artistas que passaram pelo Coreto, patrocinado pela Petrobás, estiveram os emboladores Lavandeira do Norte e Cardel da Serra, naturais de Natuba, no interior da Paraíba. A dupla participa pela quarta vez d’O Maior São João do Mundo e celebra a valorização da cultura popular dentro da programação do evento.
“É uma honra muito grande cantar aqui. Somos muito bem acolhidos e a nossa arte está sendo divulgada cada vez mais. Desde os 14 anos de idade eu faço embolada. É um dom divino. A gente já nasce com o dom do improviso, tudo é feito na hora. Campina Grande não tem igual. O Maior São João do Mundo é aqui mesmo. Não adianta comparar. É uma festa feita para o povo, para todos os públicos e todos os gostos. É bom demais. Campina Grande é coisa séria e está em primeiro lugar, é uma vitrine para nós”, destacou Lavandeira do Norte.
Na plateia, o professor de História Ítalo Ramon, que é de Campina Grande, acompanhou a apresentação e ressaltou a importância da presença dessas manifestações culturais na programação do São João.
“Acredito que a verdadeira cultura popular se manifesta por meio desses artistas. O São João é uma festa diversa e, por isso, creio que precisa haver espaço para a cultura popular, para a embolada, o coco de roda, os maracatus. Estou achando tudo maravilhoso. Hoje vivemos um momento muito forte da música brasileira, com o trap e o rap, e eles, de certa forma, dialogam com essa tradição da oralidade e da cultura popular. Então, valorizar manifestações como essas é também reivindicar o nosso espaço enquanto povo dentro de uma festa como esta, que não deve ser apenas do forró eletrizado, mas também do coco de roda, da embolada, do maracatu e de tantas outras expressões culturais”, afirmou.
De João Pessoa, a turista Paglaia Mendonça, também assistiu encantada a apresentação e afirmou que a cultura da embolada traz memórias afetivas.
“Acho que preservar essa cultura é manter a nossa essência, a nossa alma nordestina. Não tem outro lugar como esse. Quem vem para cá traz a família, traz as crianças, porque isso aqui é o verdadeiro São João. Isso aqui é São João de verdade. A gente fala da nossa história. Os artistas contam a vida do homem e da mulher nordestinos, e isso é lindo. Esse tipo de apresentação mexe muito comigo. Me faz lembrar do meu pai, que já não está mais aqui. É como se eu estivesse revivendo momentos com ele. Resgata muitas memórias e emociona a gente”, concluiu.