Com Portal Hora Agora*
O diácono católico e professor Antônio Lisboa Leitão de Souza, que foi demitido do cargo de professor efetivo da Universidade Federal de Campina Grande após um processo administrativo disciplinar que apurou suposta prática de assédio sexual e moral contra alunas, foi absolvido nos dois processos por falta de provas, contradições das acusações e depoimentos de testemunhas que desmontaram as denúncias.
Sentença prolatada em agosto pela juíza Flávia de Souza Baptista aponta que as acusações e depoimentos contra Antônia Lisboa partiram de alunas que, durante os depoimentos, confessaram ter fortes ressentimentos contra o professor por conta do seu rigor acadêmico. “Nota-se que seus relatos apresentam incongruências e revelam motivações estranhas ao âmbito penal”, escreveu a magistrada.
Segundo a sentença, uma das testemunhas, por exemplo, “admitiu expressamente que guardava ressentimento pessoal do acusado por ter sido corrigida publicamente em sala quanto a um vício de linguagem (“veve”), além de ter reconhecido que o docente nunca praticou qualquer toque físico em relação à sua pessoa”.
Além disso, outra aluna que acusou o professor de assédio no primeiro processo (também rejeitado pela Justiça) e que se tornou testemunha de acusação no segundo caso admitiu que foi reprovada pelo docente e reconheceu que “nunca presenciou toques corporais de índole sexual ou comentários sobre as vestimentas da vítima”.
As alegações de que Antônio Lisboa recebia as alunas na porta da sala de aula com beijos foram veementemente rechaçadas por outras testemunhas, incluindo discentes e servidores. Já a versão de que ele teria assediado a estudante autora do segundo processo durante um ato em frente à universidade também foi considerada contraditória.
Para a juíza, ficou clara a inexistência de testemunhas que confirmassem as acusações, havendo apenas “a versão acusatória inteiramente isolada e infirmada pelos demais elementos de convicção coligidos em juízo”.
DEMISSÃO DA UFCG E AFASTAMENTO DAS ATIVIDADES RELIGIOSAS
Em 14 de julho, o MEC determinou a demissão de Antônio Lisboa após a conclusão de um processo administrativo disciplinar. Agora, com as absolvições nos dois processos, os advogados do professor já estão buscando reverter a decisão.
Já no dia 15 de julho, após forte pressão da imprensa, Lisboa foi afastado pela Diocese de Campina Grande da função de diácono, “para apuração dos fatos e investigação”, segundo nota divulgada pela igreja.