A decisão do Ministério Público da Paraíba (MPPB) de ingressar com uma Ação Civil Pública Ambiental em desfavor da Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) não causou surpresa ao vereador Alexandre do Sindicato. O parlamentar vem exigindo explicações contundentes da empresa desde a ruptura do reservatório R5, localizado no bairro da Prata. O desastre, registrado em 8 de novembro de 2025, deixou feridos, provocou ampla destruição e culminou na morte de uma senhora.
Na visão de Alexandre, tanto o pronunciamento do órgão ministerial quanto as perícias do Instituto de Polícia Científica (IPC/PB) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) serviram somente para confirmar aquilo que ele e diversas lideranças já alertavam desde o princípio: o desastre ocorreu devido à negligência e à “falta prolongada de manutenção”.
“Isso não me surpreendeu, pois já havíamos denunciado essa situação no passado, como é de conhecimento geral. Nas redes sociais, fui alvo de duros ataques por parte de aliados do governo estadual e da própria Cagepa, que me acusavam de espalhar pânico ou de criar falsas suspeitas. O cenário de hoje apenas escancara a irresponsabilidade deles”, declarou o vereador em tom de desabafo.
Autor de uma proposta para instaurar uma CPI na Câmara Municipal com o objetivo de apurar o episódio, o parlamentar manteve uma conduta rigorosa de cobrança e recordou as críticas que enfrentou daqueles que buscavam diminuir a gravidade do fato na época. Para ele, o desenrolar dos acontecimentos comprovou que o seu trabalho, somado ao empenho da imprensa independente, foi essencial para expor o perigo ao qual os cidadãos estavam submetidos.
Apesar desse histórico, o trabalho de fiscalização do seu mandato continua enfrentando obstáculos criados pela própria concessionária. O vereador revelou publicamente que, até o presente momento, os legisladores de Campina Grande seguem proibidos de vistoriar as instalações hídricas distribuídas pelos bairros da cidade.
“Tentamos visitar a estrutura do bairro de Santa Rosa, mas fomos barrados. Até o momento, a direção da Cagepa não fez nenhum convite formal a nós, vereadores e legítimos representantes da população — muito embora alguns defensores do Estado adorem discursar sobre o quanto se preocupam com Campina Grande. Simplesmente não nos deixaram acessar o local”, criticou.
Por fim, Alexandre chamou a atenção para a completa ausência de transparência em relação ao estado de conservação de outros equipamentos essenciais no município, citando especificamente os reservatórios localizados no Jardim São Januário e no bairro da Palmeira. Para o vereador, trata-se de um quadro “extremamente preocupante”.